Viajologia: Arte de Viajar
December, 2004Quero lhe fazer um convite muito especial. Você desejaria começar um novo estudo, uma nova carreira? Não tem importância qual é sua idade, quais são seus diplomas anteriores ou suas aptidões profissionais. Você só precisa de uma condição indispensável: ser apaixonado pela viagem – e, portanto, possuir espírito de aventura, encantar-se com o desconhecido e estar mais interessado em aprender do que em fazer compras. Se você acha que os ingredientes principais de uma viagem são a descoberta e o aprendizado, bem-vindo ao curso de Viajologia, a arte de Viajar.
Desde que coloquei o pé na estrada, comecei a entender a viagem como uma escola dinâmica, uma oportunidade única para acumular conhecimento através do contato direto com outras culturas. Passei a assumir que a qualidade e quantidade de viagens estavam relacionadas com uma compreensão mais profunda do nosso planeta. Durante essas últimas três décadas, confesso que quase tudo que aprendi sobre geografia, história, religião, arte, arqueologia, antropologia, sociologia e qualquer outra logia, aprendi viajando. Minhas salas de aulas foram mercados, museus, ruínas, festas populares, templos e a própria natureza. Meus professores foram os milhares de indivíduos que cruzaram meu caminho que, com generosidade e orgulho de sua terra, contaram-me estórias e ensinaram-me a entender melhor o que estava à minha frente, possibilitando um novo olhar.
Compreender a viagem como uma ferramenta de aprendizagem é como conceber essa experiência como um estudo na escola ou na faculdade. Assim nasceu o conceito de Viajologia, que considera que os grandes viajantes devem ser reconhecidos com um diploma especial nessa arte. Porque não conceder um mestrado ou um doutorado em Viajologia àqueles que dedicaram tanto tempo e suor nas suas andanças pelo mundo?
Como viajólogo – que você tenha visitado apenas três países e esteja no Jardim de Infância ou que tenha passado da marca dos 100 países e possua um Pós-Doutorado – o mais importante é ter esse desejo fanático de querer viajar mais e essa vontade louca de querer conhecer o local visitado com intensidade e intimidade, não se conformando com informações superficiais.
Nada pode ser comparado com o aprendizado no campo, com a vivência real. Você já deve ter visto um monte de fotos maravilhosas de Machu Picchu, mas o fato de estar no Templo das Três Janelas, esperando o sol aparecer atrás da cordilheira, é uma outra sensação. Você já viu leões e rinocerontes no zoológico e nos filmes da National Geographic, mas observar esses animais na savana africana, ao vivo, sentindo a proximidade deles, é outra coisa. O mesmo pode ser dito sobre a festa do Bumba-Meu-Boi no Maranhão, a Aurora Borealis no Ártico ou a visita a qualquer museu europeu. O que conta mesmo é a experiência pessoal.
Nesse espaço da Viagem e Turismo, minha intenção é promover essa disciplina da Viajologia e encorajar os “estudantes” a se aprofundarem nessa nova maneira de viver a viagem. O primeiro “dever de casa” é realizar o seu Teste de Viajologia para saber se você está na escola primária ou num curso de doutorado. Participe desse jogo e descubra a resposta no site www.viajologia.com.br
Queremos considerar qualquer périplo como uma oportunidade única de aprendizagem, uma maneira de melhor entender a natureza, uma jornada sagrada para se conectar com raízes espirituais e tradições nativas, uma terapia saudável para contrabalançar o quotidiano estressante e, finalmente, um exercício que possa romper com nossas próprias barreiras culturais e possa promover a paz e o entendimento entre pessoas de diferentes culturas e países. Você embarca nessa?
(publicado em VIAGEM E TURISMO, em dezembro de 2004)




